História: entre arte e ciência (parte III)

     Mas qual a importância de se estudar história? Não é só o estudo de gente morta e de situações que ficaram no passado e que não voltarão a acontecer?

    Primeiro, é preciso compreender que realmente a história trata de eventos que são únicos, mas acredito que é importante sim estudar a história.

    O primeiro motivo é que, mesmo que fenômenos históricos sejam únicos, eles ainda guardam semelhança entre si. Nesse sentido, pode-se dizer que a história se repete: elementos históricos voltam a gerar mesmos efeitos. Alguns permitem se perceber certas regras que podem ser mais ou menos certas. Uma regra mais certa é que economistas sabem que congelamento de preços não controla a inflação (talvez com outras medidas sim, mas ele sozinho não). Uma regra menos certa é a percepção de ciclos entre monarquia, despotismo, aristocracia, oligarquia, democracia e demagogia (não necessariamente nessa ordem). Aqui, podemos aprender com o passado, tanto com os erros quanto com os acertos.

    O segundo motivo é tem a ver com a capacidade de se perceber a natureza de um povo. É algo complexo e não pacífico, mas considero que estudar a história de um povo nos ajuda a entender quem é esse povo e como ele tende a se comportar no futuro. Não é perfeito: os normandos vikings deram origem aos pacíficos povos escandinavos atuais, mas mesmo assim há uma identidade nos povos que pode ser percebida pela história e que tem uma permanência ao longo do tempo.

    O terceiro motivo é ajudar a compreender a importância de instituições atuais, e perceber que nem sempre as coisas foram assim. É uma lição de humildade, prudência e gratidão. Nem sempre houve a noção de que os seres humanos tinham a mesma dignidade. Nem sempre houve luz elétrica e água encanada. Houve épocas em que era impossível imaginar que a prisão poderia ser a pena para um crime. Na colonização dos Estados Unidos houve a tentativa fracassada de criar uma sociedade protosocialista. Houve épocas em que o pai tinha direito de escolher se o filho vivia ou morria após o nascimento.

    Conforme se vai percebendo a história se percebe que mudanças no presente indicam o caminho de mudanças no futuro, boas ou más. Muito do que é feito tem precedentes de sucesso ou fracasso, levando para sociedades mais justas ou menos justas.

    A história é uma ciência importantíssima especialmente para a política, pois ambas tratam de ver o todo da sociedade. A política é a "arte do possível", e a história ajuda a mostrar o que é possível (pois já foi feito), o que gerou bons ou maus frutos, e ajuda a mostrar o que é importante e deve ser preservado.

    Vale acrescentar que existe quem simplesmente estuda história porque gosta, se diverte, e cresce sua compreensão do ser humano e da sociedade. Não é um motivo menos legítimo que os que já citei.

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