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Mostrando postagens de outubro, 2021

A Bela e a Fera: a animação, o teatro e o live-action - parte II

    Temos muito a falar do live-action da Bela e a Fera da Disney. Se a versão de teatro pode ser considerada uma adaptação do desenho, o live-action não é uma adaptação, é, talvez, uma releitura, ou uma versão mais distante. Em grande medida, isso é culpa da atriz que interpretou a Bela, Emma Watson, que gostaria de fazer suas mudanças na história. É de conhecimento público que a atriz é uma militante feminista e isso acabou refletindo no seu personagem.     Talvez eu tenha uma visão mais tradicional do teatro, mas eu considero que o ator deve se esforçar ao máximo para "entregar seu corpo" a um personagem diferente de si. O personagem é uma pessoa, e o ator é outra, e o ator deve se considerar menor que o personagem, pois só assim o personagem irá poder se expressar ao máximo. É claro que isso não é tão simples. Um motivo é porque é impossível separar totalmente os dois: o personagem tem algo do ator, e o ator irá obter algo do seu personagem. Outro motivo é porque...

A Bela e a Fera: a animação, o teatro e o live-action - parte I

      Existem três versões de A Bela e a Fera que eu comparei: a animação da Disney, a versão live-action, e o teatro da Broadway baseado na animação.     Primeiro deles foi a animação. Hoje, temos versões refeitas em HD. Por ser em HD, a imagem é obviamente melhor, porém eu tenho um problema com a redublagem. Acho que ficou muito infantil e perdeu um pouco da emoção.     Depois, a Broadway montou o musical com base na animação. A peça poderia ser de maior duração e ter músicas extras. Por ser uma adaptação ao teatro, fica mais difícil o público ver com precisão uma expressão, e a ambientação é pior do que em um filme. As condutas precisam ser mais amplas e caricatas como é próprio do teatro. Também, a peça é feita ao vivo, e é mais comum haver a interpretação do personagem conforme cada ator e diretor. Também algumas versões não possuem alguma música ou a substituem por falas, ou mudam alguma coisa da letra. Ou seja, o teatro tem mais variação.  ...

Cinderela live-action da Disney: a melhor versão live-action de animação da Disney

      Hoje, resolvi falar sobre o Cinderela live-action da Disney e porque considero a melhor adaptação de animação da Disney para live-action. Será inevitável comparar com outras versões live-action - Mulan, A Bela e a Fera, Aladin.     De imediato, já digo que Cinderela parece ser o filme mais infantil dos que mencionei, o mais simples na trama, o de clima mais alegre e otimista. Não significa que adultos não gostarão do filme, mas que ele é claramente voltado para crianças.     De início, é preciso observar as diferenças entre a animação e o live-action. Nas propostas de live-action, se deseja algo um pouco mais realista do que na animação. É por isso, por exemplo, que se evitou os ratos falantes em Cinderela. É claro que, como é um conto de fadas, é preciso pesar o realismo e a fantasia, porém a intenção é ser mais verossímil do que na animação (eu diria que o "live-action" do Rei Leão é excessivamente realista ao ponto de diminuir a empatia que te...

Drácula, Frankenstein e o Médico e o Monstro: os perigos da Modernidade

      Drácula, Frankenstein e o Médico e o Monstro são três histórias que contribuíram para a formação das histórias modernas de terror. Há muito a se discutir sobre essas obras, tanto individualmente, quanto em conjunto, mas gostaria de introduzir o assunto e fazer uma reflexão.     Em breve resumo:     Drácula conta a história de um rapaz moderno, trabalhador, que vivia na cidade, que viaja para a Transilvânia. O jovem é um vendedor de imóveis em Londres e irá negociar com um cliente, que é um antigo nobre local. Fenômenos estranhos acontecem, e há muitas referências a superstições e eventos misteriosos que vão introduzindo a presença de um ser maligno, o vampiro que dá nome ao romance. Nesse livro que aparece o médico dr. van Helsing, que um médico que sabe sobre a existência de vampiros.     Frankenstein ou o Prometeu Moderno conta a história do dr. Frankenstein (Frankenstein é o nome do médico, e não do monstro sem nome), que estudava fo...

Héroi de Mil Faces (Campbell) - crítica

     Terminei de ler o livro O Herói de Mil Faces de Joseph Campbell. O livro é citado quando se analisa histórias e filmes de aventura, para se observar o desenvolvimento do personagem durante sua jornada. Aponta-se que Campbell apresentou uma estrutura comum a várias histórias e que permite ajudar a analisar uma história. Chamamos essa estrutura comum de Monomito ou jornada do herói. Posteriormente, outros autores apresentaram seus modelos que são variantes da estrutura de Campbell. O autor analisou os mitos de várias culturas, além de fábulas, para seu livro.     Devo começar dizendo que aquilo que li na internet sobre o livro não é muito preciso e ignora certos elementos do livro. Talvez usem informações de outros autores ou de outros escritos de Campbell.     Desde o prólogo, pude notar que o autor teve forte influência da psicanálise mais jungiana (pelo pouco que conheço de psicologia) e de elementos gnósticos.     Como não sou gnóstic...