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Mostrando postagens de junho, 2021

História: entre arte e ciência (parte III)

      Mas qual a importância de se estudar história? Não é só o estudo de gente morta e de situações que ficaram no passado e que não voltarão a acontecer?     Primeiro, é preciso compreender que realmente a história trata de eventos que são únicos, mas acredito que é importante sim estudar a história.     O primeiro motivo é que, mesmo que fenômenos históricos sejam únicos, eles ainda guardam semelhança entre si. Nesse sentido, pode-se dizer que a história se repete: elementos históricos voltam a gerar mesmos efeitos. Alguns permitem se perceber certas regras que podem ser mais ou menos certas. Uma regra mais certa é que economistas sabem que congelamento de preços não controla a inflação (talvez com outras medidas sim, mas ele sozinho não). Uma regra menos certa é a percepção de ciclos entre monarquia, despotismo, aristocracia, oligarquia, democracia e demagogia (não necessariamente nessa ordem). Aqui, podemos aprender com o passado, tanto com os err...

História: entre arte e ciência (parte II)

    Procure alguém que goste de algo da história: de um país, de uma época, de um personagem. Mas que seja alguém cujos olhos brilhem quando fala do assunto. Peça que lhe conte essa história.     Dependendo da pessoa, ela não terá tudo o que conhece bem organizado, mas insista um pouco.      Normalmente, não gostamos simplesmente de um amontoado de informações dispersas, mas sim daquilo que une essas informações. Por exemplo, alguém que goste de Vargas não gosta simplesmente de um amontoado de informações sobre Vargas, mas sim gosta do próprio Vargas, mesmo que não de tudo o que ele fez. E tente descobrir essa linha central do que essa pessoa lhe conta.     Você vai acabar percebendo uma certa linha narrativa: a pessoa está lhe contando os fatos em uma sucessão ordenada conforme essa linha. Às vezes é mais óbvio, às vezes é mais difícil de descobrir.     Façamos uma engenharia reversa e chegaremos ao seguinte: eu tenho muitas inform...

História: entre arte e ciência (parte I)

    Eu gosto bastante de história. Falo da disciplina de história. Devo admitir, no entanto, que não foi sempre assim. Eu comecei a gostar de história não pela matéria na escola, mas pelos livros 1808, 1822 e 1898 do Laurentino Gomes. Começava a perceber que a história podia ser contada de outra forma: pela visão das pessoas da época; ou seja, eu poderia "viver" a história pelos seus olhares em vez de tentar ver a história de cima, como uma águia sobrevoando aquela sociedade.     Na faculdade, em tempos que eu recebi bastante influência do liberalismo, comecei a pensar que a sociedade era o conjunto de indivíduos. Se isso era verdade, então estudar a história seria estudar esses indivíduos. É uma aventura histórica que eu ainda não fiz: imagine estudar dezenas de pessoas ilustres de uma época, ver seus hábitos, seus pensamentos, suas influências, seus papéis.     Fui me deparando com livros que mostravam que a história (e a sociedade) não era formada apenas...

Prevenção pelo planejamento ambiental em acampamentos

      Eu disse que publicaria uma aplicação do livro Prevenção ao Crime pelo Planejamento Ambiental para o caso de acampamentos.     Primeiramente, quero informar que vou apenas trazer algumas regras gerais e reflexões para ajudar o planejamento do acampamento.     As reflexões aqui vão variar muito conforme o local, a quantidade de jovens, a quantidade de adultos, as instalações existentes e outros fatores, mas acredito que são pontos úteis.     Obs.: para quem não sabe, "chefe" é uma forma de se referir aos adultos responsáveis no movimento escoteiro.     Conheça o lugar antes:  É uma medida padrão, mas gostaria de dar mais informações. O que você procura identificar? Pontos de acesso (entradas e saídas do local), elementos de risco (abelhas, buracos, rios, local escorregadio...), áreas "escondidas" (locais em que a supervisão é difícil e que pode ser usado pelos jovens para atividades ilícitas, envolvendo pontos cegos, locai...

Sobrevivência urbana: fugir, se esconder, enfrentar

      Em situações de emergência, muitas pessoas são pegas de emergência e ficam perdidas. Muitas vezes se deixam levar por reações instintivas humanas que podem ou não ser adequadas. Uma regra que ajuda a saber o que fazer em tais emergências é "fugir, se esconder, enfrentar". A regra indica uma prioridade para reagir a cenários variados e é especialmente útil em cenários de violência súbita como tiroteios.     Diante do perigo, os animais apresentam geralmente três instintos básicos: atacar a ameaça, fugir ou paralisar (ao paralisar, podem passar despercebidos ou podem não ser considerados ameaça como ao fingir-se de morto). Cada um desses três instintos é representado na regra de fugir, se esconder ou enfrentar.      1) A primeira opção é fugir, ou seja, distanciar-se da ameaça real ou potencial. Não ficar olhando para ver como vai acabar se você pode se colocar em perigo caso a ameaça escalone. Fugir costuma ser uma opção segura, pois a pessoa...

Insights: Prevenção ao crime pelo projeto do ambiente

     A postagem de hoje é baseada no livro Crime Prevention Through Environmental Design (Prevenção ao crime pelo projeto do ambiente) de Timothy D. Crowe, infelizmente sem tradução ao português.     Os economistas dizem que os seres humanos reagem a estímulos, ou seja, que nosso comportamento é influenciado pelo nosso meio. Envolve influências legais, econômicos, culturais, sociais e outros. O livro em questão analisa a possibilidade de reduzir crimes e outros atos antissociais pelo planejamento do ambiente físico e uso do espaço. A aplicação pode ser no planejamento de uma casa, de um bairro, de uma cidade, de uma escola, de um clube esportivo, de praticamente qualquer ambiente.     Existem três grupos para se pensar em prevenção ao crime em determinado espaço: estratégias naturais (o comportamento cotidiano de quem usa um espaço), mecânicas (equipamentos e estrutura física) e organizacional (pessoas contratadas para cuidarem da segurança). Deve-se ...