Prevenção pelo planejamento ambiental em acampamentos
Eu disse que publicaria uma aplicação do livro Prevenção ao Crime pelo Planejamento Ambiental para o caso de acampamentos.
Primeiramente, quero informar que vou apenas trazer algumas regras gerais e reflexões para ajudar o planejamento do acampamento.
As reflexões aqui vão variar muito conforme o local, a quantidade de jovens, a quantidade de adultos, as instalações existentes e outros fatores, mas acredito que são pontos úteis.
Obs.: para quem não sabe, "chefe" é uma forma de se referir aos adultos responsáveis no movimento escoteiro.
Conheça o lugar antes: É uma medida padrão, mas gostaria de dar mais informações. O que você procura identificar? Pontos de acesso (entradas e saídas do local), elementos de risco (abelhas, buracos, rios, local escorregadio...), áreas "escondidas" (locais em que a supervisão é difícil e que pode ser usado pelos jovens para atividades ilícitas, envolvendo pontos cegos, locais distantes, banheiros etc.), observe as instalações presentes.
Veja quantas pessoas adultas estarão disponíveis no acampamento. Ter mais pessoas é melhor para a supervisão.
Há duas preocupações básicas quando distribuir as pessoas para segurança: controle de acesso (ter pessoas observando quem entram e quem sai, podendo dar informações e negar acesso) e supervisão (ter pessoas observando os espaços). A supervisão pode ser fixa ou móvel.
A distribuição das pessoas varia conforme as atividades do acampamento: por exemplo, durante a tarde todos os jovens estão na trilha, então é bom a maioria dos chefes estarem nas trilhas; durante a noite, em que os jovens estão nos cantos de patrulha e áreas comuns, os chefes devem restringir a área que os jovens vão usar (fechando a trilha que usaram à tarde, por exemplo) e ficar na área que está sendo usada pelos jovens.
Como geralmente não há tantos chefes e eles gostam de estar próximos de jovens e de outros chefes, é bom tentar não deixar o chefe isolado (sem companhia e sem nada para fazer além de controlar o acesso ou supervisionar). Deve-se procurar aproveitar a vigilância natural, ou seja, aquela que uma pessoa exerce enquanto faz suas atividades normais. Por exemplo:
- Se a equipe de cozinha fica próxima da entrada, ela pode ficar responsável pelo controle de acesso dessa entrada. Eles irão recepcionar quem chega atrasado e ver se algum jovem está saindo pelo local.
- Um chefe acompanhando a patrulha ajuda a exercer vigilância natural sobre a patrulha, seja em trilhas, seja no canto de patrulha. Esse chefe pode conversar com a patrulha e dar dicas sobre as atividades da patrulha.
- Se uma patrulha ficar próxima de uma entrada secundária ou de alguma atividade de risco ou ponto cego, o chefe lá também pode naturalmente exercer controle de acesso ou vigilância. Daí, pode-se querer deixar uma patrulha próxima de certas áreas menos seguras para aumentar a segurança sobre essas regiões.
Há medidas que não exigem chefes:
- Colocar cartazes e símbolos nas entradas ajuda a indicar que a área é voltada para certo grupo, diminuindo os estranhos que se aproximem.
- Colocar cercas, fitas de isolamento, trancar os portões, bloquear estradas e trilhas e simbolizar que não pode usá-las ajuda a prevenir que locais sejam usados e permite concluir que quem passou por esse local está ciente de que não deveria fazer isso (tem menos desculpas para seu comportamento)
- Conversar com os jovens sobre os limites do acampamento ou sobre regras de segurança antes do acampamento começar.
Basicamente, são essas regras que podem ajudar a estabelecer a segurança em um acampamento. A segurança aqui é pela supervisão e controle de locais. Outras medidas de segurança envolvem o treinamento dos jovens e dos adultos e o uso de equipamentos mais seguros, por exemplo, mas seria outro assunto.
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