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Por que não gosto dos filmes do "Frankestein" e qual seria uma boa história

      Houve um lançamento de um filme, a Noiva!, que contaria sobre a noiva do "Frankestein" (no filme, o monstro se chama Frankestein, sendo que no original esse é o nome do cientista). Eu vi o trailer e já fiquei incomodado a ponto de não querer assistir ao filme, assim como vi outros filmes e não achei que honram ao original. Por que os filmes não fazem jus ao original?     O filme do Frankestein a que eu mais gostaria de assistir é o primeiro, mas sem esperar que siga tanto o original. Ele parece ter marcado a imaginação coletiva com o cientista maluco conduzindo seus experimentos em um castelo sobre uma colina, usando um para-raios para dar vida ao monstro, e com a população se revoltando com tochas. Mas nada disso existe no livro original.     No original, a história gira em torno do Frankestein, o cientista, com seu gosto pelo oculto, com seus desejos de substituir Deus. Ele cria o monstro (que não tem nome, sendo chamado apenas de monstro) e se...

Uma reflexão sobre o "civil ajuda civil"

      Eu não gosto de comentar sobre atualidades. Minha crença é que só sabemos o que realmente aconteceu depois de já ter acontecido, ou até anos depois. Por outro lado, tenho percebido que eu tenho certas percepções sobre o que acontece que nem sempre é dito, ou que é dito de forma muito restrita. Eu geralmente espero para para expor essas ideias e vou trabalhando-as com o tempo. Aqui, gostaria de expor uma delas.     Nos recentes eventos das inundações no Rio Grande do Sul, se popularizou o jargão "civil ajuda civil", aparentemente opondo o civil ao militar e, de forma mais ampla, ao Estado ou à Federação. Houve ajuda do Estado e dos militares, mas há muitas reclamações sobre ela (ser ineficiente, ser tardia, ser muito insuficiente) e houve a popularização de vídeos mostrando problemas da burocracia e mostrando falhas até cômicas de tentativas estatais de dar ajuda. Por outro lado, os tais civis estão se esforçando para se ajudarem.     Fazendo uma ...

Halloween: de fantasias assustadoras para qualquer fantasia

    Tradicionalmente, o Hallowen é uma festividade relacionada à morte, tanto de memória dos mortos quanto da lembrança da nossa mortalidade. Aí temos fantasias relacionadas a esqueletos, almas penadas, fantasmas.     Com o tempo, o Halloween parece ter priorizado o sentimento do medo, do terror, do horror. As fantasias não só se relacionavam com os mortos, mas incluíam vampiros, o monstro de Frankenstein, bruxas, depois mais personagens da cultura pop como Jason de Sexta-Feira 13 ou Chucky. Há um tom alegre das travessuras, dos cinemas, das festas, mas com a temática do medo, do assustador.     Recentemente, tenho percebido que o Halloween tem se tornado uma festa a fantasia mais genérica. Apesar de ainda haver ainda de alguma forma a relação com o medo, as fantasias incluem personagens que não são assustadores, como pokemons não assustadores, Mário, presidentes e celebridades, Harry Potter, super-heróis.     Parece-me que essa última mudança tem...

Sobre a necessidade de separar o horror do gore/slasher (filmes)

      Há vários textos tratando da diferença entre o terror e o horror, tanto quanto a sentimentos quanto quanto a gêneros de filmes. Eu gostaria de apontar a necessidade de se diferenciar o horror de algo que chamaríamos de gore ou slasher.     Para contextualizarmos, vou abordar primeiro a diferença entre horror e terror. Tratando do sentimento, apontam a diferença entre esses dois termos; basicamente, o terror é o sentimento de medo antes de algo ruim, é a antecipação dos males. O horror é o sentimento mais próprio de depois de algo ter acontecido, é o choque psicológico diante de se presenciar algo ruim.     Stephen King considerou o terror como superior ao horror. Uma das vantagens do terror é a possibilidade de ser sustentado ao longo do filme. Eu discordo em parte, mas explico depois.     No cinema, se procurou dividir terror e horror com base no sentimento preponderante (ou seja, pode haver - e de fato há - um pouco de cada um no outr...

O mito do homem das cavernas

      Várias vezes, me deparo com uma explicação um tanto bizarra, que envolve uma história de um passado imemorial para explicar um elemento do presente. Vou dar alguns exemplos abaixo: - O cérebro masculino e o cérebro feminino são diferentes, pois lá no início, quando viviam nas savanas, o homem era o responsável pela caça, precisando de um corpo forte, de um cérebro adaptado para percepção de distância e velocidade, para perceber mais os movimentos que as cores. Já as mulheres cuidavam das crianças, precisando ter bastante empatia, ter uma percepção global do ambiente, capacidade de se comunicarem no caso de um risco. - O medo que nós temos de mudanças vem lá da pré-história, em que a mudança significava um novo risco, o abandono de um estado de relativa segurança e conforto para outro de necessidade de se adaptar, de risco de morrer, passar fome e sede, contrair doenças. - O cachorro é o melhor amigo do homem, pois é um animal que convive com o homem desde o tempo da...

Problemas no sistema mágico de Harry Potter

      Venho compartilhar certos elementos do sistema mágico no mundo de Harry Potter de que não gosto por motivos diversos. Devo começar dizendo que a autora fez um mundo gigantesco, com muitos mistérios e com regras interessantes, então minhas críticas não visam desmerecer sua capacidade criativa.     Mencionarei sites da fandom com informações, pois nem tudo o que direi está nos livros. Será em inglês por ter informações mais completas em geral. 1) Artes das trevas são realmente das trevas?     Apesar do nome, as artes das trevas não incluem apenas magias malignas propriamente. Por exemplo, envolvem feitiços para soltar amarras, empurrar alguém, causar coceiras. Existem subdivisões conforme a gravidade, mas me parece inadequado chamar todas de artes das trevas. No mundo real, seria como se incluísse esportes marciais com técnicas de tortura num mesmo grupo.     Eu iria propor como critério usar o termo "Artes das Trevas" para magias que são...

Breve reflexão sobre o quadrivium: a pintura e o cinema

      No livro Quadrivium da editora Quadrante, que eu li há algum tempo, há uma ideia interessante de que o quadrivium se referia a ciências matemáticas: A aritmética eram os números em si mesmos, a geometria eram os números no espaço, a música eram os números no tempo e a astronomia eram os números no espaço e no tempo. É uma forma bem interessante de se pensar e aponta para uma sistematização mais abstrata do pensamento.     Hoje estive pensando sobre o cinema, em como há certas convenções sobre a divisão do tempo das cenas. A estrutura de 3 atos em histórias é muito antiga (Aristóteles já apontava que uma história tinha começo, meio e fim). Há também a divisão da história em 5 atos, que foi adotada, por exemplo, por Shakespeare.     Mas acredito que essa estrutura nem sempre refletia na duração dos atos. Uma história pode ter 3 atos, mas eles não têm mesma duração necessariamente. Talvez a forma artística que foi mais capaz de aplicar certa proporc...