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Mostrando postagens de fevereiro, 2022

Reflexões sobre Kimetsu no Yaiba (parte 3)

      Aqui falarei sobre Rengoku, o hashira das chamas, apresentado no filme de Kimetsu e no arco do Trem Infinito (da segunda temporada). Aqui, é um detalhe sobre a infância dele, então não contém nenhum spoiler sobre os acontecimentos relevantes da história.     O que eu gostaria de apontar é sobre a mãe de Rengoku. É curioso que ela mal aparece na história, mas as cenas que apareceram são muito importantes ao ponto de eu propor essa análise.     Rengoku é filho de outro usuário da respiração das chamas, seu pai. Mas quem aparece lhe dando um propósito moral é sua mãe. Ela aparece em uma cena em que Rengoku é uma criança pequena. Ela lhe pergunta por que ele é mais forte que os outros, e pede para ele pensar antes de responder. A cena é apresentada mostrando que ela fala com seriedade com o filho, e que ele deveria prestar atenção porque era importante. Ele não sabe. A mãe responde que ele é mais forte para poder proteger os mais fracos, e que quem n...

Reflexões sobre Kimetsu no Yaiba (2)

      Kimetsu no Yaiba se passa na era Taisho. É uma escolha interessante.     Devo explicar, para entender o período, ele sucedeu a Era Meiji, que foi um momento em que o Japão começou a se ocidentalizar. Samurai X (Rurouni Kenshin) se passa na Era Meiji, por exemplo. O Japão foi forçado pela marinha inglesa a se abrir, começando a adotar mudanças políticas e econômicas. O feudalismo acabou, iniciou a industrialização e criação das ferrovias.     A Era Taisho deu continuidade à ocidentalização do Japão. Nesse período, temos um auge do poder japonês, que começou a copiar o Ocidente também no imperialismo. Nessa época, também há mais problemas econômicos e políticos.  Assim como o Japão atual, o país preservou bastante da cultura tradicional, especialmente longe das grandes cidades.     O anime conseguiu até agora mostrar uma parte da cultura mais tradicional que vem desde a época feudal e outra da modernização do país. Isso começa a fica...

Reflexões sobre Kimetsu no Yaiba (1)

      Farei uma série de postagens sobre o anime Kimetsu no Yaiba (Demon Slayer). Escrevi em outra ocasião que gosto muito do anime e gostaria de apontar algumas reflexões bem variadas sobre ele. Avisarei se houver spoilers no começo dos textos. O protagonista é gentil, mas não é chorão (nem valentão)     Mesmo antes de assistir ao anime, tenho refletido sobre muitas histórias de animes, desenhos, filmes, séries, se esforçarem para o herói não matar o vilão. Nos filmes animados da Disney, é frequente que o vilão morra, mas morra por seu próprio egoísmo ou arrogância ou por tentar fazer alguma maldade, e não pelo herói matá-lo conscientemente. Como é conteúdo infantil, penso que essa escolha ocorre para a criança manter a consciência moral de que matar é errado, tão errado que mesmo que o herói possa roubar ou enganar, ele não pode matar. Isso se aplica mesmo a animais selvagens, que não são mortos intencionalmente pelo herói (se que é são mortos). Curiosamente, ...

Sobre o uso da jornada do herói

      Recentemente, tenho lido um pouco sobre a cultura grega antiga. Em especial, li Ilíada e estranhei a história. Na verdade, eu não sabia bem sobre do que trataria o livro. Pensava que era uma narração sobre a guerra de Troia, porém era um episódio no contexto dessa guerra. Ilíada trata especialmente da ira de Aquiles, que vai da briga que ele teve com Agamenon até o retorno dele à guerra. Tentarei dar poucos spoilers aqui, mas alguns serão inevitáveis.     O estranho era que o herói Aquiles tem pouco desenvolvimento de personalidade durante a guerra. Para mim parecia mais uma birra (talvez com alguma razão, mas certamente exagerada) e levou a não apoiar os gregos nos combates, de modo que estes sofriam grandes perdas.      A função da história não era mostrar que Aquiles desenvolveu alguma virtude ou se desenvolveu durante a história. Os gregos entendiam que a história não era sobre o crescimento de um herói, e sim sobre um herói já feito. E ...

A Bela e a Fera: o desenvolvimento de Bela

(Aqui, uso a animação e o teatro. O teatro desenvolve um pouco mais Bela, daí a importância)        Apesar da perspectiva da história da Bela e a Fera ser a da moça, a transformação externa (tanto em aparência quanto em comportamento) foi mais presente na Fera. Isso tem certa razão, mas não é o tema deste tópico.     Gostaria de compartilhar algumas ideias minhas sobre o desenvolvimento de Bela. Quando penso nisso, me deparo com o seguinte: Bela nos é apresentada como uma heroína que chama atenção em seu mundo (a vila) por suas qualidades. Ela é uma moça muito bonita e também é uma moça que é educada. A beleza     A beleza de Bela é um elemento importante na história. Na verdade, a história tem como uma das lições que a beleza exterior não é o importante. Por que Bela era a mais formosa, então?     Em histórias infantis, há um elemento interessante, que é a relação entre interior e exterior: o bom é belo, e o mau é feio. A bruxa má é fe...