Sobrevivência urbana: fugir, se esconder, enfrentar
Em situações de emergência, muitas pessoas são pegas de emergência e ficam perdidas. Muitas vezes se deixam levar por reações instintivas humanas que podem ou não ser adequadas. Uma regra que ajuda a saber o que fazer em tais emergências é "fugir, se esconder, enfrentar". A regra indica uma prioridade para reagir a cenários variados e é especialmente útil em cenários de violência súbita como tiroteios.
Diante do perigo, os animais apresentam geralmente três instintos básicos: atacar a ameaça, fugir ou paralisar (ao paralisar, podem passar despercebidos ou podem não ser considerados ameaça como ao fingir-se de morto). Cada um desses três instintos é representado na regra de fugir, se esconder ou enfrentar.
1) A primeira opção é fugir, ou seja, distanciar-se da ameaça real ou potencial. Não ficar olhando para ver como vai acabar se você pode se colocar em perigo caso a ameaça escalone. Fugir costuma ser uma opção segura, pois a pessoa não está lá quando o problema aparece. Em artes marciais, esquivar-se é importante especialmente contra golpes pesados e lesivos, pois a defesa não precisa ser firme o suficiente para suportar o impacto.
Há cenários em que a fuga não é possível ou aconselhada. O agressor pode estar na única entrada ou perto demais ou pode ser mais rápido. Um cenário importante em que a fuga é possível, mas não aconselhada é no caso de um atirador em escola. Tentar levar os alunos para fora da escola pode ser arriscado, pois as crianças (e mesmo adultos) podem congelar no deslocamento, expondo a si mesmas e a terceiros ao risco.
2) Não sendo possível fugir, pensa-se em se esconder ou se proteger. Qual a diferença entre esconderijo e proteção/cobertura? O esconderijo serve para não ser percebido pela ameaça enquanto a cobertura serve de escudo contra o agressor. O ideal é buscar por cobertura, mas o esconderijo é melhor do que nada. Fala-se em "se esconder", mas é no sentido mais amplo de se proteger, de reduzir a exposição ao perigo, não chamar atenção.
Existem técnicas de barricada para portas ou de improvisar fechaduras que ajudam a tornar um local mais seguro.
Em um tiroteio, jogar-se no chão minimiza a exposição do corpo aos tiros. Mesmo sem um esconderijo ou cobertura, essa é uma forma de se proteger, reduzir sua exposição ao perigo.
3) A terceira reação é atacar, enfrentar. Na verdade, é enfrentar a ameaça atacando, contra-atacando, emboscando etc. O ponto aqui é assumir que não é mais viável escapar ou se proteger; a opção que resta é sobreviver enfrentando o perigo. Essa opção costuma ser mais arriscada e, por isso, geralmente é a última opção para os civis.
A situação típica em que é preciso enfrentar a ameaça é quando se tem alto grau de certeza de que a ameaça quer destruir a vítima ou feri-la gravemente, e a vítima sabe que a passividade é garantia de que será ferida. Exemplo: um atirador que está andando na escola atirando em pessoas (há casos em que atiradores deixaram pessoas escaparem, mas eram conhecidas dele) ou de um ex-namorado que já ameaçou matar a ex-namorada e a encontrou com uma arma.
Vale apontar que a regra de fugir, se esconder e atacar é para ajudar a tomar uma decisão visando a sobrevivência. Ela não é fórmula mágica e uma pessoa mais especializada vai notando exceções à regra. Cito algumas: um pai pode desconsiderar fugir se o filho estiver em perigo, alguém sem condições físicas ou psicológicas de se defender pode insistir em dialogar para ganhar tempo. Mesmo assim, a regra de fugir, se esconder e atacar é muito útil como regra geral.
A título de curiosidade, é possível certos grupos ou mesmo civis adotarem outras regras, como "observar(a uma autoridade), reportar, enfrentar" ou "reportar (aos colegas), investigar (o suspeito) e enfrentar", mas a fórmula que apresentamos no começo é útil para os civis em geral.
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