Outra proposta das 4 virtudes masculinas e femininas

     Baseado no livro Seven Basic Plots de Booker.


    Booker usou uma ideia de Jung de 4 virtudes humanas, basicamente a) Força/poder; b) Ordem/razão; c) Sentimento altruísta/simpático e d) Compreensão intuitiva. Booker aponta que Jung não dividia em masculinos e femininos, mas aquele que colocou os dois primeiros em masculinos e os dois últimos em femininos.

    Ser masculino e feminino não significa que é exclusivo de um, mas que é simbolicamente associado a um dos sexos.

    Eu acho que seria interessante fazer algumas modificações nos princípios. Minha proposta é manter os princípios masculinos, mas alterar os demais, além de colocar um quinto princípio. Os princípios femininos passam a ser c) Sentimento (no sentido de afeto/emoção e no sentido de percepção/sentido) e d) Relacionamento/comunitarismo. O princípio da compreensão passa a ser um quinto valor, transcendente.

Obs.: Enquanto me preparava para defender minha posição, eu iria acusar a proposta original de estranhamente colocar como um princípio o equilíbrio dos outros princípios iguais. Isso se parece com as virtudes cardeais - pois a virtude da prudência é capaz de ponderar sobre as coisas, inclusive sobre as outras três virtudes. Mas isso a torna uma virtude mais importante que as outras, e não exatamente igual. Não vou me alongar, mas se essas 4 virtudes de Jung tiverem paralelo nas virtudes cardeais, teríamos a seguinte ordem: a) Fortaleza; b) Justiça; c) Temperança (por exclusão, num primeiro pensamento) e d) Prudência.


1. Devo começar explicando a mudança do segundo princípio feminino e a criação do quinto princípio.

    A compreensão, como apresentado por Booker, como um princípio que regula os demais, que é idealmente uma fusão dos valores masculinos e femininos, mas pode ser a aceitação da interdependência ou, no mínimo, a abertura. Na verdade, envolve não só a compreensão desses valores, mas também do self e do ego, do indivíduo e da comunidade.

    Considero que essa concepção é bastante "materialista", comunitarista. Para mim, a compreensão envolve não só isso, mas também o valor transcendente, espiritual. Parece que Booker associa excessivamente o Self à comunidade, enquanto eu aponto para o transcendente, Deus, a religião, a moral. Com isso, não quero acusar Booker de nada.

    Se eu separo a compreensão transcendente da comunitária, e coloco a primeira numa categoria à parte, resta a segunda, que é o que sobra para o princípio feminino. Daí o valor "d" possui duas faces: o relacionamento (com a anima/o animus, que é a fusão dos elementos femininos e masculinos) e o comunitarismo (mais social, não limitado à anima/ao animus). Esse seria um valor de mais serenidade, tranquilidade, compreensão do outro, altruísmo.


2. Modifiquei o valor "c"

    Eu primeiramente adequei o valor segundo uma descrição mais condizente com o texto, enquanto o que eu apresentei era mais conforme o glossário. Eu inclui a percepção, o que permitiria explicar bem o conto da Princesa e a Ervilha.

    Além disso, coloco o sentimento não necessariamente em relação ao outro (como sentimento altruísta ou simpático). Coloco uma inteligência emocional em sentido mais amplo e mais profundo. Inclui também o amor romântico, por exemplo. E não associo necessariamente ao altruísmo, pelo risco do sentimentalismo ser egoísta.

    

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